AlertaCAPADestaqueSaúdeServiços

Alerta Vermelho: Jornadas de trabalho extenuantes podem aumentar risco de problema Cardiovascular

Longas jornadas de trabalho e ambientes profissionais marcados por pressão excessiva deixaram de ser apenas questões trabalhistas para se tornarem um grave problema de saúde pública. “A literatura científica confirma que a exposição crônica a jornadas prolongadas está diretamente associada à elevação da morbimortalidade por doenças cardiovasculares, especificamente a doença isquêmica do coração e o acidente vascular cerebral (AVC)”, afirma a médica do trabalho e consultora, Ana Paula Teixeira.

Embora o estresse seja muitas vezes tratado como subjetivo, seus impactos no organismo são mensuráveis. De acordo com publicação da RBMT, 2024, um estudo transversal analítico realizado com trabalhadores universitários demonstrou que aqueles com carga horária superior a 40 horas semanais apresentaram alterações estatisticamente significativas em marcadores vitais, quando comparados aos colegas com jornadas menores.

Segundo a publicação, estes trabalhadores com jornada estendida exibiram:

*   *Pressão Arterial Sistólica (PAS):* uma elevação média de 8,6 mmHg,.

*   *Índice de Massa Corporal (IMC):* um aumento médio de 2,2 kg/m².

*   *Saúde Cardiovascular:* uma redução significativa no escore geral de saúde, indicando maior suscetibilidade a eventos graves.

*Mecanismos do Adoecimento*

A relação entre trabalho excessivo e colapso físico não é coincidência, mas fisiológica. *De acordo com publicação da RBMT, 2022*, profissionais expostos a altos níveis de estresse diário, sobrecarga e pressão social sofrem com a negligência do autocuidado e alterações biológicas severas. O editorial destaca que fatores de risco modificáveis — como hipertensão, obesidade e sedentarismo — são agravados por ambientes de trabalho que induzem à exaustão.

“O mecanismo biológico envolve a ativação excessiva do sistema nervoso simpático e do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal. O estresse crônico eleva a secreção de cortisol e catecolaminas (como adrenalina), o que provoca aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, sobrecarregando o sistema cardiovascular”, esclarece a especialista que é autora do livro “Quando o Trabalho Dói” – disponível na Amazon.

*Epidemiologia Global*

O cenário brasileiro reflete uma tendência mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que, em 2016, cerca de 745 mil mortes foram atribuídas a longas jornadas de trabalho globalmente. Indivíduos que trabalham 55 horas ou mais por semana apresentam um risco estimado *35% maior de sofrer um AVC* e *17% maior de morrer por doença isquêmica do coração*, em comparação com aqueles que cumprem jornadas padrão de 35 a 40 horas.

Além disso, o renomado estudo britânico Whitehall II demonstrou que realizar de 3 a 4 horas extras diárias está associado a um risco 1,56 vezes maior de doença coronariana, independentemente de outros fatores de risco convencionais.

“A prevenção exige mais do que conselhos de bem-estar; requer o respeito aos limites fisiológicos. A redução da jornada e o controle rigoroso das horas extras não são apenas medidas administrativas, mas estratégias de prevenção primária necessárias para reduzir a incidência de infartos e derrames na população economicamente ativa”, conclui Ana Paula Teixeira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook
Facebook
YouTube
Instagram