Uso de Ozempic e similares dispara entre mulheres no pós-parto, aponta estudo internacional
O consumo de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como o Ozempic e o Wegovy, tem crescido de forma acelerada entre mulheres no pós-parto, segundo estudo publicado em novembro de 2025 na revista JAMA. A pesquisa analisou mais de 382 mil gestações na Dinamarca e identificou um salto expressivo no uso dos agonistas do receptor de GLP-1 durante os primeiros seis meses após o parto.
Crescimento do uso
- Em 2018, menos de 5 mulheres a cada 10 mil partos recorriam aos medicamentos.
- Em 2024, esse número saltou para 173 usuárias por 10 mil nascimentos.
- No total, 1.549 mulheres utilizaram semaglutida ou liraglutida no período analisado.
A virada ocorreu em dezembro de 2022, quando a Dinamarca liberou a semaglutida para tratamento da obesidade. Antes, o uso era restrito a pacientes com diabetes tipo 2.
Pressão estética e busca por resultados rápidos
De acordo com a pesquisadora Mette Bliddal, da Universidade do Sul da Dinamarca, a maioria das mulheres que buscou o medicamento em 2023 e 2024 estava acima do peso antes da gestação, mas não tinha histórico de diabetes.
No Brasil, médicos também relatam aumento da procura. O endocrinologista Carlos André Minanni, do Einstein Hospital Israelita, afirma que muitas pacientes recorrem às canetas por pressão estética, medo de não recuperar o peso original e baixa autoestima. Esse cenário leva algumas mulheres a adotar dietas extremas, procedimentos invasivos e uso indevido de medicamentos.
Riscos e incertezas
Ainda há poucas evidências sobre os efeitos dos agonistas de GLP-1 durante o puerpério e a amamentação. Estudos iniciais sugerem que a semaglutida não passa para o leite materno em quantidades significativas, mas não há comprovação de segurança.
Entre os efeitos colaterais conhecidos estão:
- Náusea, vômito e diarreia
- Constipação e fadiga
- Dificuldade de manter nutrição adequada
- Riscos raros de colecistite (pedras na vesícula) e pancreatite
Especialistas alertam que o uso sem acompanhamento médico pode comprometer a saúde física e emocional das mulheres, mascarando problemas como ansiedade e depressão pós-parto.
Acolhimento e cuidado
Para Minanni, mais importante do que negar o tratamento é acolher as pacientes, validando suas queixas sem reforçar a pressa em emagrecer. “Esses medicamentos não podem ser vistos como atalhos cosméticos. Se realmente necessários, devem ser usados no momento certo e com acompanhamento médico adequado”, ressalta.

