Do Cais à Gestão: Mulheres Conquistam Espaço nos Portos
Força, dedicação e determinação fazem parte da história das mulheres que atuam nos Portos administrados pela Autoridade Portuária Federal – CODEBA. Ao todo, a Companhia conta com mais de 150 mulheres desempenhando suas funções nas áreas administrativas, operacionais, técnicas e de apoio nos terminais de Salvador, Aratu-Candeias, Ilhéus e Itajaí, garantindo o pleno funcionamento das atividades logísticas e projetando a empresa pública como destaque nacional entre os portos federais.
Entre as histórias que representam essa trajetória está a da gerente de Negócios da CODEBA, Marivalda da Silva. Filha de empregada doméstica e que também trabalhou como ambulante vendendo frutas para garantir o sustento da família, ela tem na mãe a inspiração para o trabalho, a valorização da educação e dedicação. Ao falar com mulheres que desejam ingressar no setor portuário ou em qualquer outra área, ela deixa uma mensagem de incentivo.
“Não só no setor portuário, mas em qualquer área que desejarem trabalhar, é fundamental se capacitar, buscar formação e aproveitar as oportunidades que surgirem. Também é importante manter boas relações no ambiente de trabalho e trabalhar em conjunto para alcançar bons resultados. Com estudo, dedicação e fé, é possível chegar onde se deseja”, reforça, Marivalda.
A ampliação da presença feminina em ambientes de trabalho antes dominados por homens tem se intensificado nas últimas décadas, refletindo mudanças sociais e maior acesso das mulheres à educação e às oportunidades profissionais. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a participação feminina no mercado de trabalho brasileiro cresceu significativamente: em 1990, apenas 34,8% das mulheres estavam inseridas na força de trabalho, enquanto em 2023 esse índice alcançou 52,2%, evidenciando um avanço expressivo na inserção feminina em diferentes setores da economia e em profissões que historicamente eram ocupadas majoritariamente por homens.
No Porto de Itajaí (SC), a trajetória da coordenadora de Operações, Eliane Razera se destaca. Ela considera a rotina do porto desafiadora, intensa e apaixonante e avalia o espaço da mulher no setor portuário como uma conquista em progresso. “Trabalhar em um porto significa desafiar padrões, uma vez que no Porto a grande maioria dos trabalhadores são homens, mas nós mulheres estamos conquistando nosso espaço”. Já para a Suelen Leão, que atua como motorista no Porto de Salvador, ocupar espaços antes vistos como exclusivamente masculinos é sinônimo de perseverança. “É uma honra fazer parte de um quadro onde muitos ainda acham que apenas homens podem estar nessa função”, afirma.
Outra trajetória marcada pela dedicação é a da Técnica portuária em Meio Ambiente da CODEBA, Elane Marques. Em 2026 ela completa dez anos de atuação no porto, período em que participou de importantes ações voltadas à sustentabilidade e à segurança das operações. “Ter construído uma trajetória sólida ao longo desses quase dez anos, contribuindo diretamente para o fortalecimento das práticas de meio ambiente e segurança do trabalho no Porto, é algo que me enche de orgulho. Participei da implementação e acompanhamento de ações ambientais, do monitoramento e controle de condicionantes, da gestão de resíduos, do apoio às auditorias e do cumprimento das exigências dos órgãos ambientais”, destaca.
Liderança feminina
A liderança feminina no setor portuário tem ganhado destaque nos últimos anos, contribuindo para a modernização e a diversidade em um ambiente historicamente dominado por homens. Além de impulsionar a eficiência e a inovação nas atividades logísticas, a presença feminina também inspira outras profissionais a ingressarem e crescerem nesse setor estratégico para a economia do país.
É o caso da colaboradora Maria Letícia Santana Silva, que atua na área administrativa do Porto de Ilhéus. Ela destaca a importância de referências femininas que abriram caminhos dentro do setor. “Minha inspiração foi minha amiga e colega Maria de Lourdes, que foi um exemplo de mulher que enfrentou o convívio e a disputa com os homens na área portuária. Ela foi a primeira mulher a adentrar na área portuária de Ilhéus e abriu caminhos para outras mulheres”, relembra.
Para Luanna Rios, gerente do primeiro porto organizado do Brasil, o Porto de Salvador, o alto nível técnico e o compromisso das trabalhadoras portuárias fortalecem as operações. “O diferencial do nosso trabalho técnico no Porto de Salvador está na integração entre engenharia, gestão de riscos e as operações portuárias. Como profissionais com formação técnica, conseguimos transformar dados, normas e análises de risco em decisões que aumentam a segurança, a eficiência e a sustentabilidade das operações. A presença crescente de mulheres na gestão portuária também tem contribuído para fortalecer uma cultura de rigor técnico, inovação e responsabilidade operacional”, afirma.
A gerente de Aquisições, Licitações e Contratos da CODEBA Ariselma Pereira considera que ainda é preciso ampliar a atuação das mulheres em cargos de chefia e poder. “Infelizmente o poder e político ainda é ocupado, em sua maioria, por homens. Para nós mulheres parece que temos que sempre que reafirmar a nossa competência, não pela capacidade, mas pelo mero fato de sermos mulheres. Isto por vezes incomoda, mas entendo que faz parte do processo histórico da luta da mulher por direitos. Avançamos muito, mas temos que avançar ainda mais”, conclui.
Neste Dia Internacional da Mulher, a Autoridade Portuária Federal – CODEBA celebra cada uma dessas histórias e reconhece o papel fundamental das mulheres que contribuem para o desenvolvimento dos portos baianos, ajudando a construir um ambiente cada vez mais inclusivo e preparado para os desafios do futuro.

