Mulheres transformam dor da violência em superação e apoio a outras vítimas
A fisioterapeuta Isabela Conde, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, compartilhou sua história durante a 4ª edição do evento “Mulheres de Impacto”, realizado nesta terça-feira (31) em Salvador. Após ser esfaqueada 68 vezes pelo ex-namorado e abandonada em um matagal na BR-324, Isabela sobreviveu e decidiu transformar sua experiência em força para ajudar outras mulheres. Hoje, ela lidera a ONG IC + Amparar Mulher, que já assiste 780 sobreviventes de violência doméstica.
Superação e criação da ONG
Isabela relatou que a maior dificuldade foi enfrentar a revitimização em órgãos públicos e a falta de preparo das instituições para acolher mulheres violentadas.
“É muito difícil enfrentar uma sociedade machista e delegacias que não estão preparadas. Essa dificuldade me fez criar a ONG, porque consegui sair desse ambiente de violência e lutar contra todo o sistema”, afirmou.
Mulheres de referência no combate à violência
Além de Isabela, participaram da mesa:
- Laiza Almeida, psicóloga clínica e neuropsicóloga, supervisora da Casa da Mulher Brasileira.
- Laís Magalhães, advogada criminalista especializada em casos de violência contra a mulher.
- Cátia Leite, enfermeira da Casa da Mulher Brasileira, com experiência em atendimento a vítimas.
A discussão foi mediada pela jornalista Camila Marinho e contou com a presença de Sandra Paranhos, diretora-geral do Parque Social, que destacou a importância de dar voz às mulheres que enfrentam ou temem a violência.
Reflexões sobre dor e transformação
As palestrantes reforçaram que o objetivo não é romantizar a dor, mas mostrar que a vida continua e que existem caminhos de superação.
“Não queremos transformar dor em algo bom. Queremos parar de sentir dor. Mas mostrar que é possível seguir em frente e que as vítimas não estão sozinhas”, explicou Laiza Almeida.
Impacto comunitário
O evento reuniu um público majoritariamente feminino, incluindo idosas beneficiárias do Projeto Convivendo & Aprendendo, que viram em Isabela um exemplo de esperança.
“Se Isabela conseguiu, as filhas, netas e vizinhas também vão conseguir”, destacou Ilsa Carla, coordenadora do programa.

