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PM acusado de matar a esposa em Salvador se torna réu por feminicídio

A Justiça da Bahia aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e tornou réu o policial militar João Marcelo Araújo Hermano, acusado de matar a esposa, a cabo da Polícia Militar Celeste Martins Oliveira do Nascimento, de 39 anos. O crime ocorreu no dia 3 de julho, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Barbalho, em Salvador.

A decisão, proferida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador, também manteve a prisão preventiva do acusado. Para o magistrado, há elementos que comprovam a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para o prosseguimento da ação penal.

Além de responder por feminicídio qualificado, em razão do recurso que teria dificultado a defesa da vítima, João Marcelo também foi denunciado por fraude processual. Conforme os autos, existem indícios de que ele tentou alterar a cena do crime para prejudicar as investigações.

Segundo o processo, após o homicídio, o policial teria queimado o celular da vítima e colocado o aparelho dentro de um saco plástico com água, em uma suposta tentativa de destruir evidências. Na avaliação da Justiça, esse comportamento reforça a necessidade da manutenção da prisão preventiva para garantir a ordem pública e o andamento da investigação.

As investigações apontam que Celeste foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça enquanto estava sentada no sofá do apartamento. Após o crime, João Marcelo apresentou-se espontaneamente ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), acompanhado de uma advogada. Durante a audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.

Na época do sepultamento, familiares da policial afirmaram ter sido surpreendidos pelo crime e disseram desconhecer episódios de violência ou conflitos entre o casal, que estava junto havia cerca de dois anos e não tinha filhos.

Celeste e João Marcelo atuavam na área de inteligência da Polícia Militar da Bahia, em atividades vinculadas à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Após o homicídio, tanto a SSP quanto a corporação lamentaram a morte da policial e informaram que acompanhariam as investigações, além de adotar as medidas administrativas cabíveis.

Com o recebimento da denúncia, João Marcelo passa oficialmente à condição de réu. A defesa terá prazo para apresentar resposta à acusação, e o processo seguirá para a fase de instrução, quando serão ouvidas testemunhas e produzidas novas provas antes do julgamento.

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