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“Cadê vocês, meus cantores?”: A Dama do Pagode cobra posicionamento político de artistas baianos

A cantora A Dama do Pagode utilizou as redes sociais nesta terça-feira (13) para fazer uma cobrança pública aos artistas do pagode baiano. Em vídeo, ela questionou a falta de posicionamento político de colegas do gênero e criticou a ausência de músicas que abordem temas como racismo, preconceito, transfobia e direitos dos trabalhadores.

“Os cantores baianos não estão se posicionando”, afirmou a artista, demonstrando insatisfação com o que considera um distanciamento entre a produção musical e os debates sociais da atualidade.

Durante o desabafo, A Dama contou que esperava encontrar novas músicas de pagode que retratassem o momento político e social vivido pelo país.

“Pensei que ia acordar esses dias com um bloquinho de CLT, de não ao preconceito, um bloquinho de não ao racismo, fascismo, de não a transfobia”, declarou.

Cantora lembra origem periférica do pagode baiano

Um dos principais pontos levantados pela artista foi a relação entre o pagode e as comunidades que ajudaram a construir e popularizar o gênero musical.

A Dama destacou que muitos cantores alcançam projeção nacional e passam a ocupar grandes palcos, mas lembrou que o reconhecimento começa nas periferias, onde o ritmo possui forte identificação cultural.

“O nosso som, que a gente faz, que sai da periferia, levam vocês a palcos gigantes. Mas antes de chegarem aos palcos gigantes, que a burguesia consegue enxergar vocês, vocês passam pela aprovação do povo de vocês, a favela”, afirmou.

Para a cantora, essa ligação com as comunidades também representa uma responsabilidade social dos artistas, especialmente diante de questões que afetam diretamente o público que acompanha o pagode.

“Vocês sabem fazer música”

A Dama também reconheceu que nem todos os artistas se sentem confortáveis para discutir política diretamente nas redes sociais. Entretanto, argumentou que a própria música pode ser utilizada como instrumento de expressão e reflexão.

“Sei que muitos de vocês talvez não saibam chegar aqui e botar a cara para falar, mas vocês sabem fazer música”, declarou.

O pronunciamento acontece em meio ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026, período marcado pela intensificação dos debates políticos e pela participação de personalidades públicas nas discussões sobre o futuro do país.

Embora tenha citado temas políticos e sociais, A Dama não mencionou nominalmente os artistas aos quais direcionou suas críticas.

A manifestação reacende o debate sobre o papel dos músicos na abordagem de questões sociais e sobre a relação entre a cultura produzida nas periferias e a realidade vivida por seu público.

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