Deputado do PT pede investigação contra Nunes Marques ao STF por suspensão do “Exército do Lula”
O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a investigação da atuação do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no processo que resultou na suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).
A representação também envolve integrantes da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), responsáveis por apresentar os documentos que fundamentaram o pedido de suspensão do canal.
Segundo informações divulgadas pelo G1, Rui Falcão aponta possíveis inconsistências entre as provas apresentadas pela campanha, as informações utilizadas no processo e as decisões tomadas pelo presidente do TSE.
O parlamentar solicita que o Supremo apure a existência de eventuais irregularidades, incluindo a suspeita de falsidade ideológica eleitoral. Até o momento, não há conclusão judicial que comprove as suspeitas levantadas.
Deputado pede afastamento temporário de Nunes Marques
Além da investigação, Rui Falcão solicitou que Kassio Nunes Marques seja afastado temporariamente de suas funções eleitorais no TSE até a diplomação dos candidatos eleitos nas eleições de 2026.
O pedido não prevê o afastamento do ministro de seu cargo no Supremo Tribunal Federal, mas busca restringir sua atuação na Justiça Eleitoral durante o período.
O deputado também pede que seja avaliada a possibilidade de Nunes Marques deixar de participar de processos relacionados às candidaturas presidenciais.
Entenda a disputa envolvendo o “Exército do Lula”
O canal de WhatsApp “Exército do Lula” é administrado pelo deputado federal André Janones e utilizado para compartilhar conteúdos com apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal. Horas depois, a decisão foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou a retomada de seu funcionamento.
Na segunda-feira (12), uma análise técnica realizada pelo TSE examinou publicações disponibilizadas entre os dias 2 e 11 de outubro.
Segundo as informações divulgadas, a avaliação não identificou novas postagens reproduzindo os conteúdos falsos apontados no processo.
Entretanto, na terça-feira (13), Nunes Marques estabeleceu uma nova condição para o funcionamento do canal, determinando que ele somente poderia ser reativado após o registro formal na Justiça Eleitoral.
A campanha de Lula realizou o procedimento ainda na terça-feira, mas o canal permanecia indisponível naquela noite.
Provas apresentadas pela campanha de Flávio são questionadas
Um dos principais pontos da representação de Rui Falcão é a validade dos documentos utilizados pela campanha de Flávio Bolsonaro para solicitar a suspensão do canal.
O deputado quer que o STF examine se os registros apresentados comprovam efetivamente a circulação dos conteúdos denunciados.
Também solicita esclarecimentos sobre a quantidade de denúncias encaminhadas à Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, e sobre as providências adotadas pela plataforma.
A representação requer a análise de documentos, registros técnicos e informações relacionadas ao processo para esclarecer as circunstâncias das decisões.
O pedido ainda será submetido à avaliação do Supremo Tribunal Federal. A apresentação da representação não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas nem que o ministro ou integrantes da campanha tenham cometido irregularidades.

