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Após derrota para Lula, Flávio Bolsonaro ficará sem mandato pela primeira vez em 24 anos

A derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 marcará uma mudança na trajetória política de Flávio Bolsonaro (PL). Após 24 anos consecutivos ocupando cargos eletivos, o senador deverá ficar sem mandato a partir de fevereiro de 2027.

Eleito para o Senado Federal em 2018, Flávio concluirá seu mandato em 31 de janeiro de 2027. Como disputou a Presidência da República e não conquistou o cargo, deixará o Congresso Nacional sem uma nova função eletiva assegurada.

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio iniciou sua carreira política em 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), aos 21 anos.

De deputado estadual a candidato à Presidência

Flávio Bolsonaro permaneceu na Alerj por quatro legislaturas consecutivas, consolidando sua atuação política no Rio de Janeiro.

Em 2016, disputou a Prefeitura da capital fluminense, mas terminou a eleição na quarta colocação.

Dois anos depois, foi eleito senador, no mesmo pleito em que seu pai conquistou a Presidência da República.

Em 2026, Flávio decidiu disputar o Palácio do Planalto. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, terminou à frente de Lula, mas não conseguiu manter a vantagem na votação decisiva.

Segundo os números apresentados na reportagem original, Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

O resultado garantiu ao petista seu quarto mandato presidencial e encerrou a tentativa do senador de chegar ao comando do Executivo federal.

Investigações envolvendo o senador continuam

A saída do Senado também ocorrerá em meio a investigações que, segundo a reportagem, envolvem o nome de Flávio Bolsonaro e tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das apurações mencionadas trata de possíveis repasses financeiros relacionados à produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

De acordo com as informações divulgadas, a Polícia Federal investiga a origem e a finalidade de transferências que teriam alcançado aproximadamente R$ 60 milhões, supostamente relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O caso estaria sob relatoria do ministro André Mendonça. Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao financiamento da produção.

Outra investigação citada envolve negócios do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador.

A apuração busca esclarecer suspeitas de movimentações financeiras irregulares e uma possível relação operacional de Flávio com uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado.

Flávio e Willer Tomaz negam manter sociedade e afirmam que a relação entre eles é de amizade.

As suspeitas ainda dependem de investigação e não representam comprovação de responsabilidade criminal.

Fim do mandato não encerra automaticamente as apurações

Com a saída do Senado, Flávio Bolsonaro deixará de exercer as prerrogativas parlamentares associadas ao cargo.

Isso, entretanto, não significa que eventuais investigações serão encerradas ou necessariamente transferidas para outras instâncias judiciais.

Em entendimento firmado em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu que a prerrogativa de foro pode ser mantida após o término do mandato quando os fatos investigados tiverem ocorrido durante o exercício da função e estiverem relacionados a ela.

A aplicação dessa regra dependerá das circunstâncias de cada investigação.

Assim, a partir de fevereiro de 2027, Flávio Bolsonaro deverá iniciar um período sem mandato eletivo, enquanto as apurações citadas na reportagem seguem sujeitas às decisões das autoridades competentes.

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