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Presidente do Paraguai renuncia após escândalo bancário que deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias digitais do país.

A decisão foi comunicada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, enquanto o Congresso paraguaio discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.

A crise bancária deixou cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas e provocou manifestações nas ruas de Assunção, capital do Paraguai.

Peña, que assumiu a Presidência em agosto de 2023 e tinha mandato previsto até 2028, afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade do país e suas instituições democráticas.

Crise bancária provocou revolta no país

O escândalo começou após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, diante de problemas relacionados à capacidade financeira da instituição.

A medida provocou a suspensão de serviços bancários e impediu milhões de clientes de movimentar seus recursos.

O banco possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes, número que representa uma parcela expressiva da população paraguaia.

Com o agravamento da situação, manifestantes passaram a exigir a devolução dos depósitos e a responsabilização dos envolvidos.

A crise também atingiu recursos públicos e previdenciários mantidos na instituição financeira.

Presidente enfrentava processo de impeachment

A oposição apresentou uma acusação contra Santiago Peña por suposto mau desempenho de suas funções, levantando questionamentos sobre conflitos de interesses e decisões governamentais relacionadas ao banco.

O presidente havia mantido participação acionária em um grupo empresarial ligado ao Ueno Bank até 2025.

Parlamentares questionam se decisões regulatórias e a destinação de recursos públicos teriam beneficiado a instituição financeira.

As suspeitas ainda dependem de investigação e não representam, por si só, comprovação de irregularidades cometidas pelo presidente.

A pressão política aumentou após a crise bancária e a apresentação de um pedido de impeachment, que também atingiu o vice-presidente Pedro Alliana.

Renúncia abre caminho para sucessão presidencial

No pronunciamento, Peña afirmou que sua prioridade é garantir tranquilidade à população e proteger os recursos dos clientes afetados.

O presidente também defendeu que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade e contribua para a devolução dos valores bloqueados.

Com o anúncio, o Congresso deverá analisar os procedimentos constitucionais relacionados à renúncia.

O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir a Presidência e dar continuidade ao mandato até 2028.

Enquanto isso, o Paraguai enfrenta o desafio de restabelecer a confiança no sistema financeiro e encontrar uma solução para os milhões de clientes prejudicados pelo fechamento do Ueno Bank.

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