Desaparecimento de corretora em Caldas Novas foi antecedido por conflitos com condomínio e síndico
O desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO), no dia 17 de dezembro de 2025, ocorreu após uma série de disputas com o condomínio onde morava e com o síndico do prédio. Antes de sumir, Daiane enfrentou notificações, cortes de serviços, assembleia de expulsão e processos judiciais.
Denúncia contra o síndico
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o síndico Cleber Rosa de Oliveira por perseguição, com agravante de abuso de função. A acusação enquadra sua conduta no artigo 147-A do Código Penal, referente ao crime de stalking, combinado com o artigo 61, que prevê aumento de pena em casos de abuso de cargo. Já são 12 ações judiciais envolvendo Daiane e o síndico.
Segundo o promotor Cristhiano Menezes da Silva Caires, Cleber teria usado o cargo para monitorar a corretora por meio das câmeras do condomínio, submetendo-a a constrangimentos recorrentes.
Imagens de segurança mostram Daiane deixando o apartamento por volta das 19h e entrando no elevador em direção ao subsolo. Desde então, não foi mais vista. A mãe, Nilce Alves Pontes, relatou que a filha teria ido religar a energia elétrica, frequentemente cortada apesar de não haver inadimplência. Vídeos enviados por Daiane mostram que o fornecimento funcionava normalmente no prédio, mas permanecia suspenso apenas em sua unidade.
Os atritos começaram após reclamações sobre excesso de hóspedes em um imóvel locado. Em janeiro de 2025, o condomínio notificou a família alegando que o apartamento estaria sendo usado como marcenaria, exigindo a retirada de máquinas em até 72 horas.
Em abril, Daiane registrou boletim de ocorrência contra o síndico por violação de domicílio, após ele admitir ter entrado em seu apartamento para filmar. Em maio, novas queixas surgiram: ela acusou o síndico de impedir seu trabalho como corretora e de barrar encomendas na portaria.
Ainda em maio, houve corte de água e energia, posteriormente restabelecidos por ordem judicial. Em agosto, o síndico convocou assembleia para deliberar sobre a expulsão de Daiane. A pauta listava 19 acusações, incluindo irregularidades na corretagem, uso indevido das áreas comuns e supostas ameaças a moradores.
Apesar da defesa apresentada, a maioria dos condôminos votou pela saída: 52 votos favoráveis, quatro contrários e duas abstenções. A decisão determinava que Daiane deixasse o prédio em até 12 horas.
Suspensão judicial
A expulsão foi suspensa pelo Juizado Especial Cível, que apontou irregularidades na convocação da assembleia. O juiz André Igo Mota de Carvalho determinou a suspensão provisória até análise completa do caso.
Daiane e o síndico participaram de audiência de conciliação, mas não houve acordo. Desde o desaparecimento, a Polícia Civil de Goiás segue investigando o caso.

