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Flávio Bolsonaro não pretende aceitar desafio de Lula para abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) não pretende aceitar o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tornar públicos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, incluindo informações de familiares e empresas.

A informação foi divulgada nesta terça-feira (20) pelo jornalista Túlio Amâncio, do SBT News, após conversas com integrantes da campanha presidencial do senador.

Segundo a reportagem, aliados de Flávio descartam aderir à proposta e avaliam que a iniciativa de Lula tem como objetivo provocar desgaste político nos últimos dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25).

Nos bastidores, integrantes da campanha classificam o desafio como uma “armadilha” eleitoral.

“Lula não vai ter esse gostinho”, afirmou à coluna um integrante da equipe do senador.

Campanha de Flávio questiona momento da proposta

De acordo com os aliados ouvidos pelo SBT News, a abertura dos sigilos a poucos dias da eleição não contribuiria para um debate aprofundado sobre as informações financeiras dos candidatos.

A avaliação é de que a divulgação poderia gerar novas acusações e pedidos de investigação sem tempo suficiente para uma análise detalhada antes da votação.

Por esse motivo, a campanha não pretende aceitar a condição apresentada pelo presidente.

A posição, entretanto, foi relatada por integrantes da equipe de Flávio. A reportagem não apresenta uma declaração direta do senador confirmando formalmente a recusa.

Lula apresentou pedido ao TSE

Nesta terça-feira, Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para autorizar a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos referentes aos últimos oito anos.

A iniciativa está condicionada à adoção da mesma medida por Flávio Bolsonaro.

O presidente também propõe que a abertura das informações alcance familiares e empresas relacionadas aos dois candidatos.

Do lado de Lula, o pedido inclui a primeira-dama Janja e os cinco filhos do presidente.

Em relação a Flávio, a proposta envolve a esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, seus pais, Jair e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan.

O documento também menciona empresas ligadas aos candidatos, incluindo a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e associada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.

Entre os dados que poderiam ser divulgados estão declarações de Imposto de Renda, movimentações bancárias, patrimônio, rendimentos, dívidas e registros telefônicos.

A divulgação de informações protegidas de familiares e terceiros, porém, depende das autorizações necessárias ou de determinação judicial.

Desafio começou durante debate presidencial

A proposta surgiu no debate entre Lula e Flávio Bolsonaro realizado pela Band, no último domingo (18).

Durante o confronto, os candidatos trocaram acusações e mencionaram suspeitas envolvendo pessoas próximas aos respectivos grupos políticos.

Lula questionou o adversário sobre suas relações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio, por sua vez, mencionou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger.

As acusações citadas no debate não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.

Na ocasião, Flávio afirmou que não tinha “absolutamente nada a esconder”, mas não assumiu o compromisso de autorizar a abertura dos sigilos.

Lula voltou a cobrar uma resposta do adversário na segunda-feira (19), durante uma agenda de campanha em Porto Alegre, e formalizou o pedido no dia seguinte.

Tema pode voltar ao debate na TV Globo

A discussão sobre a transparência financeira dos candidatos poderá voltar à pauta no próximo debate presidencial, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.

Enquanto aliados de Lula consideram a abertura dos sigilos uma forma de ampliar a transparência, integrantes da campanha de Flávio sustentam que a proposta busca alimentar acusações durante a reta final da eleição.

Até o momento, a solicitação apresentada por Lula não resultou na divulgação dos documentos. O pedido depende de análise judicial e das condições estabelecidas para a abertura das informações.

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