Embaixada dos EUA considera vitória de Lula definitiva e aponta que votos após as 17h não mudariam resultado
A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
A avaliação consta em um relatório diplomático encaminhado ao Departamento de Estado norte-americano na segunda-feira (26), conforme informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (30).
Segundo a reportagem, o documento descreve a votação como majoritariamente pacífica e destaca que observadores internacionais não identificaram elementos que colocassem em dúvida o resultado oficial.

O relatório também analisa a polêmica envolvendo a prorrogação do horário de votação, utilizada por Flávio Bolsonaro como argumento para questionar sua derrota.
Votos registrados após as 17h não alterariam resultado
Um dos principais pontos abordados no documento é a decisão de estender o funcionamento de determinadas seções eleitorais até as 19h, no horário de Brasília.
A medida foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatos de dificuldades no transporte de eleitores e no acesso aos locais de votação.
De acordo com os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 34.393 votos foram registrados após as 17h durante o segundo turno.
O relatório diplomático aponta que essa quantidade seria insuficiente para alterar o resultado da eleição, considerando a diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Apesar disso, a representação norte-americana reconheceu que a comunicação sobre a mudança no horário apresentou falhas e provocou dificuldades operacionais em algumas seções eleitorais.
Observadores internacionais não questionaram integridade da eleição
O documento também menciona a avaliação da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Segundo a reportagem, os observadores consideraram que o processo eleitoral brasileiro ocorreu de maneira organizada, embora tenham apontado problemas na divulgação das informações sobre a extensão do horário de votação.
Em comunicado divulgado na terça-feira (27), a OEA afirmou não ter dúvidas sobre a integridade dos dados oficiais da eleição e parabenizou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) pela reeleição.
A avaliação distingue as dificuldades operacionais registradas durante o pleito de eventuais irregularidades capazes de comprometer a apuração dos votos.
Relatório contrasta com críticas de Donald Trump
A análise atribuída à Embaixada dos Estados Unidos apresenta uma avaliação diferente das críticas feitas publicamente pelo presidente norte-americano Donald Trump após a derrota de Flávio Bolsonaro.
Conforme a Folha de S.Paulo, o documento também registra que integrantes do Partido Liberal demonstraram, em conversas reservadas, preocupação com possíveis consequências políticas da contestação do resultado eleitoral.
Até quinta-feira (29), o governo dos Estados Unidos ainda não havia encaminhado uma mensagem formal de congratulações a Lula pela reeleição, segundo a reportagem.
O relatório, portanto, apresenta uma avaliação diplomática sobre o processo eleitoral brasileiro, mas não representa necessariamente um pronunciamento público da Casa Branca.
A informação divulgada reforça que, na análise atribuída à representação norte-americana, os problemas registrados durante a votação não foram suficientes para colocar em dúvida a vitória de Lula.
