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Valdemar admite que golpe foi discutido em 2022, mas minimiza: “Discutiram, mas não deram”

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve discussões sobre uma possível tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022. Durante entrevista à Rádio Gaúcha, na quarta-feira (7), o dirigente partidário, no entanto, minimizou a gravidade das conversas e afirmou que o golpe não chegou a ser executado.

“Discutiram de dar o golpe. Tudo bem, discutiram, e daí? Discutiram, mas não deram o golpe”, declarou Valdemar ao ser questionado sobre depoimentos de integrantes das Forças Armadas que relataram planos para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração ocorre em meio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno contra Lula, marcado para 25 de outubro.

Presidente do PL defende anistia

Durante a entrevista, Valdemar voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou acreditar que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar na libertação dessas pessoas.

Ao argumentar que a discussão de um plano não deveria ser considerada crime, o dirigente fez uma comparação com o planejamento de um assassinato.

“A lei diz que você pode planejar o assassinato, e, se você não atacou o camarada, não é crime”, afirmou.

A interpretação apresentada por Valdemar, porém, não corresponde integralmente à legislação brasileira. O Código Penal prevê crimes contra o Estado Democrático de Direito, incluindo a tentativa de golpe de Estado mediante violência ou grave ameaça. A responsabilização depende da análise das condutas praticadas e das provas reunidas em cada caso.

Bolsonaro foi condenado pelo STF

Em 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na trama golpista investigada após as eleições de 2022.

Entre os elementos analisados durante o processo estava o documento conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que previa ações contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

O general da reserva Mário Fernandes, ex-integrante da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu durante depoimento ao STF a autoria do documento, mas afirmou que se tratava de um pensamento que havia sido colocado por escrito.

Valdemar descarta nova tentativa de golpe

Questionado sobre a possibilidade de um episódio semelhante ocorrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Valdemar inicialmente respondeu de maneira evasiva, mas depois descartou a hipótese.

“Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro, o que está pagando. Acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, declarou.

O presidente do PL também afirmou que qualquer militar que tentasse organizar uma nova ruptura institucional ficaria isolado. Apesar de reconhecer que houve discussões sobre um golpe, voltou a negar que Jair Bolsonaro tenha participado de seu planejamento.

“Pode ter um débil mental de um general querer fazer. Vai ficar sozinho, querendo fazer. Imagina, nunca passou pela cabeça do Bolsonaro fazer isso aí”, afirmou.

As declarações de Valdemar reacendem a discussão sobre os acontecimentos posteriores às eleições de 2022 e sobre as propostas de anistia defendidas por integrantes do PL. A eventual libertação dos condenados dependeria de medidas juridicamente válidas, não sendo consequência automática de uma vitória presidencial.

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