Vorcaro teria contratado hacker para apagar dados de celular apreendido pela Polícia Federal
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é apontado como responsável por uma suposta tentativa de invasão digital para apagar informações de um celular apreendido pela Polícia Federal (PF). A ação teria ocorrido em janeiro de 2026, quando o empresário cumpria prisão domiciliar em São Paulo.
De acordo com informações divulgadas pela revista piauí e pelo jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro teria solicitado ao publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário de seus negócios na área de comunicação, que providenciasse o acesso à conta do iCloud vinculada ao aparelho.
O objetivo, segundo os relatos, seria excluir arquivos armazenados na nuvem antes que os investigadores conseguissem recuperar as informações.
Especialista teria revelado operação à PF
O caso foi relatado à Polícia Federal por Thiago Santos, especialista em segurança cibernética que teria participado da tentativa de acesso aos dados.
Segundo as informações publicadas, Miranda teria procurado Santos após receber a solicitação atribuída a Vorcaro. O especialista teria conseguido acessar a conta do iCloud, mas a operação acabou interrompida depois que policiais identificaram a atividade suspeita.
Naquele momento, a Polícia Federal já estava com o celular do banqueiro havia aproximadamente dois meses, após a apreensão realizada no âmbito da Operação Compliance Zero.
A existência de conversas extraídas do aparelho e utilizadas posteriormente em relatórios policiais indica que a suposta tentativa não impediu o acesso dos investigadores a parte das informações.
Dados de cunhado também estariam entre os alvos
As reportagens apontam ainda que Vorcaro teria solicitado a exclusão de informações vinculadas à conta de Fabiano Zettel, seu cunhado.
Zettel é investigado por suspeita de participação em operações financeiras relacionadas ao Banco Master, incluindo movimentações que estão sob análise das autoridades.
A tentativa de apagar os dados, caso comprovada, poderá ser considerada pelas autoridades na apuração de possíveis condutas destinadas a dificultar a investigação.
Publicitário também é citado em outras apurações
Thiago Miranda aparece em outras frentes da investigação envolvendo o Banco Master. Segundo a Polícia Federal, o publicitário teria intermediado contatos com influenciadores e recebido solicitações relacionadas à retirada de reportagens de sites de notícias.
Uma das linhas investigativas envolve supostas campanhas digitais contra o Banco Central após a liquidação do Banco Master. A defesa do publicitário nega a prática de ilegalidades.
Vorcaro, por sua vez, é investigado por suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção.
O banqueiro foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026. Conforme as informações divulgadas, permanece detido em Brasília.
Procuradas pelo Estadão, as defesas de Vorcaro e Miranda não haviam se manifestado até a publicação da reportagem. As suspeitas de invasão digital e tentativa de eliminação de provas ainda dependem de apuração e eventual responsabilização judicial.

